Lua Cheia em Aquário
29 de julho a 12 de agosto de 2026
Pra essa edição sair, ela teve que ser escrita num fluxo de pensamento. Lá vai, então: a Lua enche em Aquário, se opondo à dupla escaldante de Sol e Júpiter em Leão. Aquário é o signo fixo do ar, onde o ar se mostra pesado, espesso, saturado de ideias e pensamentos que se adensam. A atmosfera, hoje, é especialmente insegura e desiludida — afinal, quem dispõe essa Lua é Saturno em queda, no signo de Áries, recém-iniciado em sua retrogradação. Oposta à Sol-Júpiter encarregados de tanto poder, o clima é um pouco dramático, com um quê de “tudo ou nada”. Ou se acuar em derrotismo diante de tanta grandiosidade, ou acreditar que vale apostar todas as suas fichas e bancar a confiança de que é do jeito que você sabe e acredita. A Fase Cheia, por natureza, põe em diálogo dois modos de ação fundamentalmente distintos. E não vou florear: nesse embate, é claro que a Lua sai prejudicada, guiada por um Saturno que vem testando e minando muitas das infraestruturas individuais e coletivas das nossas vidas. Nessa Cheia, em que ele retrograda em Áries, e dispõe a própria Lua, é como um personagem que, na trama, se dá conta do tamanho do prejuízo que tomou, e tenta voltar para casa, na esperança de reduzir alguns danos ou, no mínimo, ser acolhido em sua fragilidade. A Fase Cheia é sempre o ápice de um processo, e cabe a nós colher seus frutos e ler o significado do que ela nos oferece. Essa, para mim, parece ter algo a ver com a insistência e a coragem que a vida nos exige a cada decepção, a cada rasteira, a cada dano sentido. Deste tipo de dinâmica normalmente surge o desejo de estabilização, ou a necessidade da garantia de alguma segurança para recobrar a confiança; mas esse desejo não se satisfaz, porque as coisas não param, e é preciso aprender a encontrar equilíbrio no próprio movimento, a dançar no ritmo da instabilidade. Cansa, né? Pois bem. Em muitos períodos, o céu nos aponta que o mínimo pode ser o suficiente. Por vezes, o mínimo é tudo que precisamos para sustentar a fé no presente e manter a roda girando. Alguns tempos tratam de se esticar além do que é cômodo para expandir as possibilidades de ação; outros, tratam de manter os movimentos essenciais em bom funcionamento para que o fogo não se extingua antes da hora. A verdade é que, desde o ingresso de Saturno em Áries, em fevereiro desse ano, muitos de nós estão aprendendo a dançar na beira do abismo, precisando desesperadamente encontrar leveza em meio às incertezas. Mas acho que, sobretudo, essa Cheia também joga luz sobre essa necessidade em si mesma: em alguma medida, é preciso desconfiar da própria desconfiança, e simplesmente acreditar em fazer o que deve ser feito. Porque Vênus em Virgem e Marte em Gêmeos se encontram em uma quadratura exata, ambos dispostos por um Mercúrio em Câncer que, diferentemente de Saturno, acaba de encerrar sua retrogradação. O arranca-rabo de Vênus e Marte costuma trazer mágoa, mas o caso desses dois é que o conflito que eles protagonizam, no fundo, guarda uma raiz comum — isto é, eles compartilham de algo que pode ser nutrido conjuntamente, para benefício de ambos. Mercúrio retomando o movimento direto dá a chance de tocar as coisas pra frente e fazer o que é exigido de uma forma diferente. Para isso, é claro, é preciso se dispor a se comunicar. A pergunta a ser feita é: o que pode nascer de bom, a partir do desencontro frustrado? Eu, pessoalmente, sempre espero que sejam histórias novas. Não as mesmas de sempre, desgastadas, que conhecemos tão bem e tão mal nos servem. Por ora, vamos segurando as pontas. É uma quinzena densa, mas ela também vai passar. Nesse meio tempo, a nós, desejo que força e convicção sejam maiores que o desalento.




Seu texto chegou na hora certa para mim, quando eu mais precisava mesmo, sobretudo a conclusão sobre o desalento. Muito obrigada, de coração.
Para uma leonina em pleno inferno astral essa lua cheia tem sabor de equilibrista de circo. Me sinto numa corda bamba com leões de boca aberta esperando eu cair, mas continuo firme na dança equiibrista porém não tão forte, só continuando aos poucos com o pensamento firme de que "tudo passa". Obrigada pelo texto. Boa lua cheia pra nós!🍀