Lua Cheia em Capricórnio
29 de junho a 14 de julho de 2026
De vez em quando Deus me tira a poesia. Olho pedra, vejo pedra mesmo. A Lua enche em Capricórnio e me lembro desses versos que abrem “Paixão", poema da Adélia Prado. De Capricórnio, não gosto do cinismo que por vezes acompanha o endurecimento — endurecimento que vem da experiência, de atravessar intempéries e outros desafios. E a experiência pode mesmo trazer aprendizado, ou, no mínimo, uma casca grossa. Não raro, porém, esses vêm acompanhados do cinismo e da amargura que se vestem de sabedoria, mas não são. A Lua enche em Capricórnio, oposta à Mercúrio recém-retrógrado em Câncer, e Júpiter prestes a entrar em Leão. Lua que também se aproxima da quadratura com Saturno em Áries. Acreditar é difícil. Olho pedra, vejo pedra mesmo.
Essa Cheia traz mudanças importantes de cenário: retrogradação de Mercúrio, Júpiter e Marte transitando em novos territórios. Mercúrio, que ficará retrógrado até 23 de julho, aponta para um período de desaceleração, revisão, retorno a bases de referência que deem apoio e segurança para retomar seu caminho futuro. Nessa retrogradação, em especial, Mercúrio em Câncer dá pistas de que retornar a um passado mais longínquo — primordial, constitutivo, infantil — pode ser de grande auxílio no resgate de qualidades e percepções valiosas ao tempo de agora. É buscar notar o que nos provocava faíscas de interesse e curiosidade, o que atiçava os instintos e que, com o passar do tempo, foi-se contendo, diminuindo, normalizando (às vezes, para melhor adaptação e sobrevivência). Uma retrogradação de Mercúrio em signo de água é um convite a molhar pés e mãos com sensações ou emoções passadas — não pela nostalgia como fim em si, mas para reconhecer parte do que vivemos e que ainda nos encarna.
Em outras notícias, Júpiter ingressa em Leão, signo fixo do fogo, juntando-se à Vênus que atuamente já o ocupa. Apesar de perder a dignidade da exaltação, é um trânsito favorável, pois livra o grande benéfico da quadratura sofrida com Saturno e nos proporciona a possibilidade de fixar as benesses ofertadas no último ano — é gostoso e satisfatório criar, mas melhor ainda é poder estabelecer bases para que as coisas não se percam, mas se estabilizem, sejam vistas, brilhem à luz do mundo. Apreciação é uma palavra que me vem à mente sobre este trânsito: tanto no sentido de estima, respeito, admiração, quanto também no de qualificação e avaliação.
Marte ingressando em Gêmeos, por sua vez, movimenta o cenário e finamente conduz à resolução imbróglios que permaneceram estagnados durante seu trânsito por Touro. Sob regência de Mercúrio retrógrado, porém, talvez isso signifique resgatar argumentos e fatos que deem base para encaminhamentos mais produtivos. É o preço a se pagar pela paz de desenroar e seguir adiante.
No mais, uma Lua Cheia em Capricórnio é uma Lua plena de desconforto, de falta. Nessa quinzena, em especial, lembrar que o corpo é matéria viva, que ele dá sinais de desgaste e abatimento que cabe a nós aprender a ouvir. Até na aridez, no entanto, há o que se inventar e fazer; se acolher e criar um refúgio é, eventualmente, botar seus demônios pra conversar.
Hoje não tem previsões coletivas para o país, mas, ainda essa semana, sai uma edição especial para apoiadores sobre Copa do Mundo. A retrogradação de Mercúrio, inclusive, é decisiva sobre nosso futuro na competição. Astrologia à parte, eu torço é pelo Brasil, sempre. Até a próxima!



