Lua Nova em Gêmeos
15 a 29 de junho de 2026
Comecei a escrever essa edição no domingo à tarde, ouvindo de longe na sala o jogo de Holanda x Japão da Copa do Mundo de futebol masculino, enquanto minha segunda tela no computador exibia a partida de vôlei entre Brasil e Argentina da VNL. Estou totalmente esportizada e essa é, inclusive, uma das razões pelas quais essa edição foi publicada hoje, e não ontem — talvez eu tenha passado algumas horas a mais fuçando mapas de partidas, e considerado retomar as análises experimentais de jogos (coisa que fiz no passado, embora com vários erros no caminho, tendo acertado duas finais: Argentina em 2022 no masculino e Espanha em 2023 no feminino).
O fato é que estou envolvida no espírito esportivo e interessada em juntar essas duas grandes paixões: astrologia e competições (adoro todas, de Masterchef a Drag Race, passando por muitos e variados esportes). Depois de meses muito atribulados, finalmente estou conseguindo vislumbrar a possibilidade de escrever edições extras exclusivas para apoiadores, e é por isso que a edição de hoje chega novamente aberta também aos assinantes gratuitos. E sem mais delongas, vamos ao céu da lunação!
O céu da Lua Nova em Gêmeos
A união entre Sol e Lua que marca a Fase Nova e a Lua Nova em Gêmeos ocorre com os dois planetas maléficos, Saturno e Marte, exilados, uma Vênus recém-ingressa em Leão, e Mercúrio, o dispositor dos luminares, no signo de Câncer, próximo à Júpiter. Me chama especial atenção a relativa proximidade entre Mercúrio e Júpiter por saber que, apesar dela, ambos não se encontrarão numa conjunção exata tão cedo: Mercúrio ficará retrógrado em Câncer a partir do dia 29 de junho, enquanto Júpiter avançará para Leão no dia 30. Outro ingresso que ocorre no intervalo dessa lunação (15 a 29 de junho) é de Marte em Gêmeos.
Percebam que descrevo, por enquanto, apenas as posições astrológicas no céu; sem descrever um mapa específico, essa é a configuração geral pertinente para essa quinzena, independentemente de onde estivermos no mundo. Ter essa visão mais ampla do céu do período importa por duas razões:
Apenas alguns trânsitos planetários são relevantes individualmente para cada um de nós;
Lunações normalmente são observadas em mapas da Lua Nova ou Lua Cheia, calculados para uma localidade específica. Isso significa que são mapas coletivos, não individuais.
Quando apresento aqui mapas de lunação calculados para o Brasil, a ideia é trazer um cenário e uma análise de conjuntura relativa à nossa coletividade. Para isso, abordo o aspecto mais objetivo — eventuais previsões sobre política e outras áreas (o que tem sido menos frequente) — e uma leitura subjetiva, tentando traduzir o “clima” do céu no período, qual a qualidade daquele tempo, enfim.
É possível observar o mapa da lunação à luz do seu próprio mapa natal? Sim, mas dificilmente isso será mais interessante ou efetivo para a sua vida do que observar seus mapas pessoais de fato (Revolução Solar e Lunares) e os trânsitos específicos dos planetas pertinentes à sua vida atualmente. Dificilmente uma visão sobre o mapa ou céu da lunação vai se refletir tão diretamente na sua vida pessoal, embora não seja impossível — a questão é que, olhando para o seu da lunação, estamos olhando para um tecido maior que sustenta todos nós, enquanto cada indivíduo é um fio nesta trama, mas com uma costura própria.
Se você já tem alguma familiaridade de observação sobre o seu próprio mapa, acompanhar as lunações pode ser um exercício interessante. Para isso, o mais importante é saber o seu signo ascendente — a partir dele, você descobre em que casa do mapa a lunação em si vai ocorrer, e como essa ativação dos luminares pode se refletir na sua vida. Um exemplo: se você tem no mapa natal o ascendente Áries, a Lunação de Gêmeos ativa a sua casa 3 (necessariamente, pois aqui usamos divisão de casas por signos inteiros). Conhecendo os significados básicos das 12 casas mundanas, é possível fazer esse exercício de observação:
casa 1: o próprio corpo; vitalidade e disposição; aparência e autoestima.
casa 2: finanças, alimentação, recursos materiais, subsistência.
casa 3: aprendizado, comunicação, escrita, leitura, cursos livres; deslocamentos, ruas, viagens curtas; vizinhos e irmãos.
casa 4: família, moradia, vida pessoal e doméstica, imóveis, terrenos, ancestralidade.
casa 5: artes e criatividade; entretenimento e lazer; prazer, erotismo; jogos e atividades físicas; crianças.
casa 6: desgastes e excessos no corpo físico; lida com cansaço, estresse, doenças ou acidentes; animais domésticos ou de pequeno porte.
casa 7: relacionamentos, parcerias, conflitos declarados, atendimento ou lida direta com outras pessoas.
casa 8: instabilidades, crises e preocupações; compras e gastos financeiros; dinheiro de parcerias; ganhos materiais por meio de outros.
casa 9: viagens longas, estudos avançados, ensino superior, espiritualidade, ganho de conhecimento.
casa 10: carreira, reputação, imagem pública, trabalho, atuação profissional, figuras de autoridade.
casa 11: amigos, sorte, grupos de pessoas, coletividade, pertencimento, ideais compartilhados, aspirações.
casa 12: desgastes do corpo mental/emocional; lida com angústia, apatia, incerteza ou confusão; atividades de isolamento, solidão ou solitude.
Em termos individuais, ainda considero que, mais interessante do que a observação da lunação nas casas do mapa pessoal, é acompanhar o trânsito dos seus planetas regentes atuais. Determinar esses planetas envolve estudo e compreensão de técnicas astrológicas mais complexas e, para isso, recomendo a consulta com uma astróloga de confiança. Para quem tem mais prática astrológica, acompanhar o trânsito do seu cronocrata é fantástico: as coisas vão se desenrolando de acordo com os aspectos e eventos em torno do planeta, com uma precisão impressionante. É legal demais.
O mapa da Lua Nova no Brasil
No mapa calculado para o Brasil, a Lua Nova em Gêmeos se dá na casa 4, com os luminares próximos ao fundo do céu. O ascendente a 19º de Peixes é regido por Júpiter exaltado em Câncer na casa 5, copresente com Mercúrio. A ênfase na casa 5 remete diretamente ao mundo do lazer e dos esportes, obviamente em evidência pela Copa do Mundo e a importância histórica dessa competição para o Brasil. Deixando de lado minha leitura sobre essa competição (pois será tema de uma edição exclusiva para apoiadores), vale trazer aqui uma visão geral sobre esses aspectos no céu.
Mercúrio e Júpiter em Câncer na casa 5 me remetem à apaziguamento e inventividade com sensibilidade — como posturas ou práticas de cuidado que brotam de forma improvável e criativa após cenários difíceis e turbulentos. Se a última Lua Cheia em Sagitário teve um tom de fechamento, aqui inauguramos uma nova fase dando conta de perceber e se movimentar criativamente a partir do que ficou. Embora entraves e obstáculos bastante concretos permaneçam no caminho — afinal, Saturno em Áries na 2 e Marte em Touro na 3 certamente não ajudam no desenrolar prático das coisas —, temos aqui inspiração para solucionar problemas, mudar abordagens que já não servem. Também enxergo aqui a possibilidade de conciliação e apoio mútuo nas relações, mas com parcimônia: Júpiter exaltado em mapa noturno é conhecido pelo otimismo e idealização que viram desilusão, e precisamos considerar que a copresença com Mercúrio é parcial e temporária, visto que a conjunção exata não ocorrerá no signo de Câncer.
Em termos mais objetivos, vejo movimentações políticas importantes nessa quinzena, que me parecem ter a ver com consolidação ou negociações de chapas eleitorais, especialmente no setor da oposição atual ao governo — pré-candidatos perdendo força e recalculando a rota, por exemplo, é algo que cabe bem nesse mapa. Saturno em Áries na 2 é ruim economicamente pro país, podendo apontar algum dado de estagnação na quinzena, e parece indicar mais algum tipo de vexame vinculado ao Poder Legislativo e suas figuras. Por outro lado, o governo, representado pelo próprio Júpiter, aparece bem no período, a salvo de maiores desgastes.
A próxima edição chega no dia 29 de junho, com a Lua Cheia em Capricórnio. Até lá!




