Lua Nova em Leão
12 a 28 de agosto de 2026
Mercúrio, Júpiter, Lua e Sol se encontram no signo de Leão. Tá bom pra vocês? É Lua Nova, e, em algumas regiões (especialmente Europa ocidental, Groenlândia e noroeste da África), também um baita eclipse solar. A Lua, embora aqui nos domínios Sol, eclipsa ele próprio. Em outras palavras, a voz das pessoas comuns, e não dos soberanos, se faz ecoar e se impõe em relevância — podendo usar, para isso, de armas e recursos solares. Figuras demasiadamente impositivas ou autocráticas são postas à prova, e correm o risco de serem derrubadas ou queimarem feio o próprio filme. Na dança das dinâmicas de poder — que, como a natureza nos ensina, ora se centraliza, ora se distribui —, esse é um momento que bater o pé e alegar soberania solitária e incontestável não se sustenta mais; porque a vida se faz em relação e, bem, nenhuma autoridade humana é infalível ou inabalável. Agir somente pelos próprios interesses, o tempo todo, tem um custo alto demais. Estamos em tempos de Saturno em Áries, e é sempre bom lembrar que as estruturas que não prestam mais, ou que nunca tiveram estofo para resistir aos efeitos do tempo, irão ruir. Pode ser desastroso e, em muitos casos, injusto — lidar mal com a natureza implacável do tempo costuma trazer mais prejuízos do que ganhos e, quando tratamos de coletividade, quem paga o preço, infelizmente, são os mais desafortunados. (Volta e meia, devaneando, penso em como seria viver em um sistema que honrasse o tempo. Acho que o exercício da imaginação ajuda a compreender o que mais nos importa hoje.) Bom, a questão é que lunações no eixo Aquário-Leão sempre me dão a impressão de grandiosidade, de eventos e efeitos ligados sumariamente à institucionalidade e ao que diz respeito a grande grupos de pessoas. Ainda assim, o céu está no topo de todas as nossas cabeças e ele oferece, a cada fase lunar, insumos para refletirmos sobre o que vivemos aqui embaixo. Nessa quinzena da Lua Nova em Leão, signo fixo do fogo, cabe manter a chama acesa e sob controle para a fogueira não desandar. Vênus em Libra, em sêxtil próximo à Mercúrio e Júpiter, nos lembra que numa siuação em que o circo está pegando fogo não é um convite para pôr mais lenha na fogueira (oi, Saturno em Áries), nem para despejar água direto sobre a labareda (alô, Marte em Câncer). O que vem à tona está ardendo por alguma razão. Deve ser reconhecido, não cabe apagar. Mas é preciso bastante sutileza para lidar com conflitos deflagrados e evitar efeitos mais destrutivos ao redor, tampouco se alienando de tomar a parte que lhe cabe neles. Também vejo essa Lua Nova em Leão como uma abertura para refletir sobre a própria autonomia — não como ensejo para valorizar um ideal de independência, porque ninguém de fato vive sozinho, mas como oportunidade para observar sua própria confiança diante das incertezas que se apresentam no caminho. Porque a vida é uma série de incertezas até para quem prevê eventos; prever o que deve acontecer não nos poupa da experiência de vivenciá-los. Confiar que é possível passar pelas experiências e superá-las é uma aposta que vale a pena ser feita, de novo e de novo. Você tem confiado em você?
Essa edição, tal como a última, foi toda escrita dentro de trens cruzando o interior da Alemanha, quase num só fluxo de pensamento. Talvez esse seja o formato possível para essa fase. Obrigada por me lerem! Que seja uma boa lunação para nós.




Seus textos são sempre maravilhosos!